Sexta-feira, Novembro 06, 2009

Recuerdo 35 - Tia Iaiá

Hugo Caldas

Amélia Albertina Pereira Rangel era o seu nome. Viveu por 97 anos. Tomou posse, ao se casar com João Torres Gomes de Melo Rangel, Tio Joca, de três engenhos, junto com inúmeros escravos, lá pras bandas de Pedras de Fogo. Quando da visita do Imperador D. Pedro II à cidade de Pilar ela dançou com o soberano em recepção a ele oferecida. O baile foi na Casa da Câmara que ficava em cima da cadeia. Nessa época ela deveria ter uns dezessete anos. O belo par foi motivo de muito falatório no dia seguinte da pequena comarca. Morou até casar-se na casa do pai, o Coronel Florêncio Pereira, Senhor do Engenho Pituassu em Itaquitinga PE. Esse engenho foi herdado do Avô Paterno o Senhor Major Antonio Francisco Pereira, primogênito do Barão do Bujary.

Ela era irmã do meu avô Ambrósio Pereira, portanto minha Tia-avó. Minha Tia Aurinha, irmã da minha mãe, nasceu de um parto bastante difícil e foi praticamente rejeitada por minha avó, Dona Dondinha Pereira. Meu avô então, botou casa para Tia Iaiá tomar conta e criar a pequena recém-nascida e daquele dia em diante ela foi a mãe da minha Tia Aurinha. Essa era a minha muito querida Tia Iaiá. Figura frágil, lindinha, baixinha, cabelos branquinhos longos que terminavam por fazer um belo cocó que ela segurava com uma fivela de legitima tartaruga. Olhos pequenos, azuis da cor do céu. E ainda era uma emérita contadora de histórias.

Criança é muitas vezes de uma crueldade atroz. Quando nós, seus sobrinhos-netos sentávamos no chão do terraço da casa grande ao seu redor ela então botava para contar histórias, as mais mirabolantes possíveis. Via de regra tinha sempre um fedelho ou fedelha a lhe perguntar por "Juca Italiano", seu grande amor da juventude. Juca Italiano, boêmio incorrigível. Tocador emérito de violão fazia serenatas embaixo da sua janela. Ela enchia os olhos d'água quando se lembrava dele. Um amor não realizado por conta da imposição do pai que, seguindo o costume da época a queria casada com uma pessoa mais velha, porém rica. Esse amor irrealizado, esse sofrimento parecia empolgar a platéia, eu incluso.

Conta-se que ao enviuvar ela devolveu de bom grado todas as propriedades à família do finado marido. Tia Iaiá não deixou descendência, não teve filhos. A lenda contada à boca pequena, dizia que na noite de núpcias seu marido chegou-se todo serelepe, no que foi prontamente repelido.

- "Eu posso ser a sua esposa, não a sua mulher". Teria Tia Iaiá morrido virgem?

Particularmente eu adorava a história de uma "Missa dos Caboclos" onde ela demonstrava todo o seu preconceito. Por ter sido Senhora de Engenho e proprietária de escravos, não fazia por maldade. Era tudo muito natural.

- "Minha padre abre o "mirissá", dizia imitando a fala errada dos caboclos, "no que abre e que se fecha, amém!” E devorava a hóstia que dizia ela, era uma bolacha de água e sal. Caíamos todos na maior risadagem.

Havia uma outra história, desta vez sobre o "costume de casa que vai à praça". Consta que um velho senhor de engenho muito respeitado tinha o hábito de ao final da caneca de café dar umas rodadinhas para aproveitar o açúcar lá no fundo. A visita era da maior cerimônia mas acostumado que estava à prática doméstica foi de pronto admoestado pela esposa. Ele não se deu por rogado. Não iria perder aquele restinho de açúcar por nada nesse mundo. Na sua frente à mesa sentavam-se umas cinco moças. Ele gesticulando com a xícara, perguntou ao anfitrião rodando a caneca!

- “Essas moças todas são suas filhas?”

Final de vida foi morar em Campina Grande. Ela que não gostava da cidade pensava que era apenas um bairro de João Pessoa. Pertencia a Ordem Terceira do Carmo e quando vestia o hábito da confraria se destacava na procissão pela figura angelical. Com a idade foi-se tornando desbocada, as vezes imoral. Armava a maior alteração na cozinha quando manhã cedinho as empregadas a chamavam de tia.

- "Eu sou lá tia de negra como você. Tenho aqui um rebenque que é para enfiar-lhe no rabo!" Caprichava sibilando o ”r". Ficava um siri.

Um belo dia a minha mãe teve que ser operada da vesícula no Hospital do Ipase em Campina. Na alta foi se hospedar na casa da irmã Aurinha. Tia Iaiá a desconhecendo, perguntou o que ela fazia ali na casa dela. Minha mãe respondeu que havia sido operada e que estava esperando "o meu marido" para levá-la para casa. Tia Iaiá, gratuitamente chispou,

- "E tu tens marido, sua quenga..."

Inventava que estava à beira da morte a ponto de várias vezes Aurinha ter que chamar um sacerdote para a extrema-unção. Numa dessas ocasiões o frade começou a rezar e ao lhe passar os santos óleos pegou em sua nuca,

- "Tira a mão dai seu fresco!" Foi o maior constrangimento.

Diziam, repetindo a parteira que a pegou, que ela não chorou ao nascer. Abriu seus olhos azuis e sorriu para o mundo. Também ao morrer não esboçou o mais leve ruído. Naquele dia a casa amanheceu silenciosa. Não havia o menor vestígio de alteração com as empregadas. Um silêncio inquietante percorria toda a casa. Tia Iaiá simplesmente não acordou.

Acho que daquele dia em diante o céu não foi mais o mesmo. Tornou-se um lugar melhor. Muito melhor. Ela deve estar lá, imagino, rodeada por Anjos e Arcanjos que simplesmente adoram ouvir as suas histórias.

- "Minha padre pega o mirissá". E todos caem na maior risadagem.

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Quinta-feira, Novembro 05, 2009

Passeata gay em Copacabana

Ipojuca Pontes

Parada ou passeata gay? Parada - se as palavras ainda têm sentido - é, entre outras definições, formatura militar para revista; desfile de tropas de uma guarnição. Já passeata é uma marcha coletiva realizada em sinal de regozijo, reivindicação ou protesto cívico. Chamar a passeata gay realizada em Copacabana, dia 1º de novembro, de parada não tem o menor cabimento – ou tem, se o objetivo dos mentores do evento é confundir a opinião pública ou desmoralizar de vez as paradas militares, a exemplo do que tem feito Lula ao esvaziar em Brasília os desfiles das Forças Armadas em 7 de setembro.

A passeata gay de Copacabana começou no Posto Seis, por volta das 15h, sob chuva fina e persistente. Sua legenda: “Pelo direito de viver e amar livremente. Diga não à homofobia!”. Em cima do palanque móvel envolto nas cores do arco-íris gay, o governador do Rio, Sérgio Cabral, acompanhado por Carlos Minc, ministro do Meio Ambiente de Lula, além de familiares e figuras do showbizz, mostrou-se efusivo ao abrir o evento ao som do Hino Nacional, cantado pelo travesti Jane di Castro.

Em seguida, o mesmo travesti, como se fosse mestre de cerimônia entoou “Bom é Beijar”, o hino oficial da Parada, e pediu aos presentes que, em contagem regressiva, se beijassem na boca, no que foi prontamente obedecido. Depois de muito beijar (a esposa, claro), o governador Cabral não conteve o entusiasmo: “O Brasil está avançando, a democracia se consolidou de vez, nos não podemos aceitar preconceitos. Antes de sair de casa, expliquei ao meu filho de 7 anos que um homem gostar de outro homem ou uma mulher gostar de outra mulher é uma opção de cada um, e que não cabe a ninguém interferir, nem o estado nem a sociedade”.

Já o ministro do Meio Ambiente de Lula, o folclórico Minc – tachado de “veado e maconheiro” pelo governador de Mato Grosso do Sul”, André Puccinelli –, com o seu eterno colete florido, aproveitou a deixa de Cabral e mandou recado ao governador do Paraná, Roberto Requião (para quem o aumento da incidência de câncer na mama dos homens é “conseqüência das passeatas gays” e do “excesso de hormônios femininos devorados por eles para crescer os seios”), saiu-se com um novo slogan em defesa da causa: “Preconceito da câncer, faz mal à saúde e pode matar” – diagnóstico de pura retórica que, se por acaso real, teria fulminado o próprio Minc, ex-terrorista e assaltante de banco que parece odiar tudo que representa normalidade.

Em que consistiu a 14ª passeata gay de Copacabana, promovida com o apoio moral e financeiro do governo do Estado e prefeitura carioca?
No estrepitoso desfile de 16 caminhões com trios elétricos multicoloricos. Em torno de cada um deles evoluíam, lentamente, à distância relativamente pequena, grupos esparsos de uns 800 gays e lésbicas, todos arrastados pela fúria de uma trilha sonora (funk e “pauleira”) de furar tímpanos e quebrar vidraças.

Os apreciadores da atmosfera decadente de “Blade Runner”, ou do melancólico fim de “A Dolce Vita”, não teriam do que reclamar, salvo a ausência completa da sofisticação do filme de Ridley Scott e do tom premonitório da obra de Fellini. De fato, o clima agonizante da passeata gay estava mais para as pornochanchadas de Pedro Rovai ou Osíris do Parsifal Figueroa, intensas nos seus requintes de grossura, promiscuidade e deboche.

Algumas cenas da passeata gay:

Cena 1) No asfalto escuro e molhado da Av. Atlântica um travesti, ao som da “dança do Créu”, arrebitava o traseiro nu em movimentos circulares. Por trás dele, o “bofe” musculoso, de sunga fio dental e gravatinha estilo coelhinha da “Playboy”, fazia com os quadris movimentos de brusca penetração anal, acelerados com o evoluir da cantoria debochada:

- “Não é mole não!... Créu, créu, créu!... Tem de ter disposição!... Créu, créu, créu, créu, créu!...”

No dueto “pornô”, o travesti de traseiro empinado, ossudo e pálido como um cadáver embalsamado, vez por outra entrava em êxtase agonizante.

Cena 2) Em torno de outro caminhão de trio elétrico, onde se anunciava em “out door” que o “Rio de Janeiro é um Estado Laico”, numa clara provocação à Igreja Católica que repudia a permissividade homossexual, uma roda de travestis, em contagem ascendente, aplaudia um longo beijo de língua entre duas lésbicas (“drag king”), sob os olhares de uma assistência (velhos, mães, crianças, etc.) basbaque.

Enquanto isso, na pista, em meio ao simulacro da orgia laica, um serviçal do evento, conduzindo no melhor estilo Papai Noel um saco volumoso, distribuía envelopes de camisinha entre os integrantes do desfile:

- É grátis! É grátis!... – dizia, eufórico.

Cena 3) Mais adiante, no entorno de mais um trio elétrico em que se lia cartaz reivindicando “igualdade de direitos e a preservação da natureza”, dois bofes rumaram ao calçadão, encharcados. Embora houvesse banheiro público, um deles tirou a “pistola” para fora da sunga e fez o serviço ali mesmo, em jatos circulares, defronte de todos. Como não tinha polícia, saí de perto para não ser “contemplado”. Mas indaguei ao tipo, que tinha corpo malhado.

- Olha aí, rapaz: você é gay ou bofe?

- Qual é, meu camarada?... Pega leve. Vim aqui só faturar a grana das “bichinhas”. Mas o que vier eu traço, ‘tás sabendo?...

Numa “Edição Metropolitana” O Globo (02/11/09), que se especializou em sonegar a verdade dos fatos, informou que a passeata reuniu 2,5 milhões de pessoas, ressaltando que a PM não divulgou estimativa de público. Pura mentira. Não ultrapassou a 200 mil o número de pessoas presentes a passeata, entre espectadores e “manifestantes”. Uns 300 mil, no máximo, como se pode verificar pela internet e em fontes insuspeitas da própria PM.

O saldo negativo de furtos, assaltos, brigas, etc., conforme declarado pelo Comandante do 19º BPM de Copacabana, Cel. Rogério Seabra, e o rastro de destruição dos sinais de trânsito das principais ruas de Copacabana (JB, 02/11/09) – estes, O Globo, por algum interesse mórbido, preferiu passar por cima. Ao cabo de tudo, Copacabana tinha sobrevivido a mais um ato de extravaganza. Todavia, o cenário era de sujeira, muito lixo, camisinhas pelas calçadas e o odor acre e ativo de urina, fezes e maconha.

Estas anotações (comprováveis) em torno da passeata Gay de Copacabana não são homofóbicas. Já escrevi uma peça de teatro sobre o tema, tenho amigos homossexuais e um empregado (Antônio, meu xará) a quem ajudo enfrentar dura luta contra o vírus do HIV. Mas a exploração indecente que os políticos e ativistas de esquerda vêm fazendo da “causa gay” é um crime. Na prática, tal atitude usurpa os recursos destinados ao tratamento do homossexual aidético (vide, por exemplo, a longa crise enfrentada pelo Gafrée e Guinle, antiga referência hospitalar no tratamento de Aids), promove a manipulação política (ideológica) do homossexualismo como claro instrumento eleitoreiro e, mais grave, a desagregação dos princípios éticos da sociedade. De outro modo, como conceber “investimentos pesados” do Estado num evento que procura explorar com requintes de permissividade bárbara a sexualidade invertida de minorias sexuais? Para explorar as divisas do turismo sexual do “segmento” gay?

Nem Fidel Castro, com toda a miséria econômica que se abate sobre Cuba, a ilha-cárcere, e o horror homicida que devota a gays e lésbicas, seria capaz de semelhante proeza.

Para concluir: ao ler o depoimento de como Sérgio Cabral ensinava a realidade da vida ao filho de 7 anos, um aposentado do infeliz bairro assim se expressou: - “O governador devia ensinar ao filho que, depois de tirar o sossego e enganar os idosos de Copacabana, com uma conversa mole de apoio à 3ª idade, agora partiu para enganar os gays. Esse Cabral não toma jeito”.

Valeu.

Quarta-feira, Novembro 04, 2009

A mentira como rotina tenta camuflar a grande fraude

É destamanho, ó!

Augusto Nunes

O perfil não autorizado de Dilma Rousseff, que será publicado no começo da semana, prova que entre a candidata à Presidência e as encarnações anteriores - a guerrilheira, a secretária municipal, a secretária estadual, a ministra de Minas e Energia e a chefe da Casa Civil - há uma única diferença relevante: as outras Dilmas não falavam. Depois que desandou na discurseira, o monumento à eficiência começou a escancarar perturbadoras rachaduras. E o Brasil que pensa vai descobrindo que a cria de Lula é um Pacheco de terninho que passou a vida conversando com o Conselheiro Acácio e mente compulsivamente para ocultar a grande fraude: a maior gerente-de-país desde o Descobrimento não existe. Nunca existiu.

Estava na primeira linha do perfil quando chegou este comentário do excelente jornalista Celso Arnaldo. Tudo a ver. Confiram. Volto no fim do texto.

Diante de uma fala gravada de Dilma, qualquer jornalista, mesmo completamente despreparado, se sente compelido a reescrevê-la, para não martirizar seu leitor com a tortura iletrada do pensamento da ministra.

Engano meu, pois há uma exceção: a tropa de choque do pessoal que cuida do site da Casa Civil… Já na primeira página, além do áudio da entrevista dela ao programa Bom dia Ministro, há a transcrição na íntegra da gravação. Eles não mudaram uma vírgula, uma respiração, erros de concordância e raciocínio que, enfileirados, iriam daqui a Brasília. Obrigado, Casa Civil! Vocês não sabem o que fazem.

Vejam o que ela responde a uma crítica sobre o Minha Casa, Minha Vida:
“Olha, não é isso que nós estamos vendo. Não é isso que a gente tá vendo e eu vou te falar a partir do que. Hoje, já tem mais de 400 projetos apresentados para a Caixa, “dominantemente” naquela distribuição em que zero a três é o pessoal que faz a moradia para renda de zero a três salários mínimos é a grande maioria. Lá dentro da Caixa já tem aprovado mais de 100 mil contratações. A gente não esperava que tivesse nenhuma casa pronta a não ser que essa casa tivesse começado a ser construída antes da gente lançar o programa, o que seria impossível porque, em média, você reduzindo o máximo que você puder toda burocracia que envolve a construção de casa, o nosso objetivo é chegar 11 meses, ou seja, dada a escolha do terreno até a hora que a chave foi entregue na mão da pessoa que vai morar, o mínimo é 11 meses. No Brasil nós estamos tentando reduzir isso porque era 22, nós estamos tentando chegar nessa meta de 11″.

Sobre um tal “anel de Belo Horizonte”:
“A boa notícia é o seguinte. O anel nós estamos agora com ele em fase final de aprovação. O Ministério dos Transportes já avaliou, nós consideramos que o projeto está bom, então ele entra no PAC, a gente considerando aquilo que ele vai ser licitado imediatamente, não vai ficar parado nem nada. Então, acho que essa é uma boa notícia”.

De novo sobre o Minha Casa:
“Porque nós não vamos ter de dar conta de resolver o problema de seis milhões de habitações. São seis milhões de lares, de moradias, de casas que falta no Brasil. Daqui para frente o que nós estamos fazendo é o seguinte: nós vamos provar para esse um milhão que é possível fazer. E vamos, eu acho, a partir do final desse programa, nós teremos de estar em perfeitas condições para iniciar já fazendo os outros seis milhões sem o que o déficit habitacional brasileiro não vai ser resolvido”.

Dispensa comentários, mas me permito um já pensou se, na hora de defender a tese que nunca defendeu para o doutorado que nunca fez, a Dilma falasse desse jeito para a banca examinadora?

Não seria pau direto até na Uniban?

Dilma é isso aí. Sempre foi. Prisioneiro da formação intelectual indigente, Lula não sabe se alguém está pronto para lecionar em Harvard ou naufragar no Enem. É compreensível que tenha resolvido transformar em sucessora a companheira de cabeça confusa. Deve achar bonito o que Dilma diz. Deve achar que só uma sumidade consegue pilotar um projetor enquanto fala do PAC. Mas muitos espertalhões da base alugada montam frases com começo, meio e fim, e distinguem um cérebro em bom estado de outro severamente avariado. Essa gente anda suspeitando de que estão a bordo do barco errado. Nenhuma outra espécie de rato desembarca com tanta ligeireza.

Terça-feira, Novembro 03, 2009

Cartas da Alemanha

Floresta Negra, 1 de novembro de 2009

Fábia de Carvalho

Oi Hugo, Olá caro leitor:

Hoje a "Carta da Alemanha" é uma carta para celebrar a vida e é direcionada também à meus amigos, primos, primas, familiares, pessoas de quem eu sinto saudades.

Saudades, coisa da gente que morto não sente. Não que eu o saiba. E se tenho alguma dúvida é porque minha mãe me dizia: também depois de morrer, vou sentir tanta saudade de ti! E como é que eu posso discutir?

É uma carta em memória à pessoas queridas, amigos, parentes que já partiram, simplesmente gente de quem jamais vamos esquecer e não somente no dia de Finados ou de todos os Santos.

E a propósito, católicos ou não, quem gostaria de me explicar: dia de finados é a mesma coisa que dia de todos os santos? Se Santo é Santo porque já morreu, então se trata do mesmo. Finados ou “Alle Heiligen“ (em alemão quer dizer “de todos os Santos“), foi dia dos lembrados e dos esquecidos no tempo e eu resolvi fazer a minha oração. Uma oração ào meu modo e em celebração à VIDA: à minha, à nossa e à vida dos que se foram. Sem a tradicional visita na igreja, cemitério e velas. Fiz um passeio pelos bosques, contemplando a vida na Floresta Negra e lembrando das pessoas, sentindo a saudade sem mais sentir doer. Compartilhar com vocês aquilo que pude compartilhar com eles (em meu pensamento) é também a finalidade desta carta. Portanto aqui vai a minha trajetória desse dia de domingo, dia lindo, cheio de luz. Um presente dos céus.

Ao acordar percebi: as folhinhas amarelas junto da janela brilhavam com o sol. Resolvi tomar logo o meu café da manhã e sair com a bicicleta, apreciar o que talvez tenha sido o último e mais belo dia de sol deste ano aqui nessa Região.

Senti uma saudade e vontade de compartilhar desse dia com gente querida: alguns que se foram e outros que vivem distantes e um amigo aqui presente. E de certa forma penso que em todos os casos se trata de ausentes sempre presentes em minha vida.

A lembrança de certo modo nos traz a presença de quem se encontra distante. E também pode nos reaproximar de um tempo passado de nossas vidas. Como exemplo tenho essa paisagem que faz parte do meu dia à dia:

Estes são os vizinhos que eu aprecio enquanto sentada de fronte ao computador, ao lado da janela. Eles me recordam de um brinquedo que eu tinha quando criança: era um cavalinho (poney) amarelinho e de plástico duro, usado como molde para desenhar sobre papel. Uma lembrança que parecia perdida no tempo e surgiu tão viva de modo que está presente agora, aqui comigo.

Outro exemplo parecido ocorre com o ato de fotografar, coisa que também faço quase todos os dias.

Meu irmão mais velho, com toda certeza, teria gostado de ter fotografado este passeio comigo. Cada coisa bonita que eu olhava me fazia pensar na presença dele ali, fotografando comigo. E foram tantos os motivos!

Lembrei-me dos tempos em que trabalhei por lá (1995, Wallis, Suíça), convidada a criar obras sobre o tema Alpes, em ocasião ao ano comemorativo dessa paisagem.

Na maioria das vezes o céu aqui está coberto e as montanhas não aparecem assim. Hoje os seus picos salpicados de neve até “brilharam“ no horizonte amplo e magnífico!

Agora no final de outono as colinas ainda se encontram cobertas com o verde bem vivo da vegetação rasteira e o colorido variado e vibrante das árvores entre os pinheiros que se mostram verde escuro o ano inteiro.

Vermelhos, Laranjas, Amarelos, Verdes, Marrons.

Todos vibrantes como celebrando a vida antes do final do ciclo quando desapareceram.

Fecha-se um ciclo que parece ser o fim. Mas eu me pergunto: não é o fim o início de algo novo?

Não será o Outono um belo exemplo de início de renovação de vida?

Entre as árvores: a impressão de ser tão pequenina sem me sentir diminuída. Basta parar para perceber as folhinhas douradas que se desprendem em movimentos graciosos que, na minha imaginação, sugerem uma música como recepção ao visitante. E desse modo se sentir agraciada. Elas se desprendem do esplendor de suas cores e parece até mesmo que morreram.

Vem o inverno e a gente pensa que tudo acabou.

Então é o tempo que nos diz paciência! O inverno é introspecção, reflexão.

A primavera chega para quem espera. E com ela novas flores e esperança.

Não à toa que Beethoven também caminhava nos bosques de Viena e admirava as árvores!

O caminho pedregoso e as subidas são às vezes bem inclinadas. Mas aqui e acolá havia um banquinho para uma paradinha e quietamente apreciar os sons da Floresta e ler algumas explicações sobre a fauna e flora existente.

O outono é a estação dos cogumelos e este ano já comi alguns colhidos por mim mesma, mas com orientação do colega que os conhece e os transformam em um jantar delicioso!

Ainda tinha chão pela frente até retornar à casa por dentro da floresta. A minha bicicleta estava com a lâmpada quebrada e deste modo eu não podia ir pela estrada. Seria perigoso.

Nesta época do ano os dias estão bem mais curtos. Rapidamente tudo foi escurecendo.

Aqui o sol já estava se pondo e a silhueta das montanhas estava ainda nítida.

Finalmente surgiram as luzes ao longe, entre as árvores:

A lua clareava o meu caminho por entre as árvores. Mas a floresta é bem densa, portanto é chamada de Negra. Mas eu me vali da companhia de Lucas, cavaleiro da Floresta Negra (como eu o chamo) que conhece estes lugares como a palma da própria mão e consegue andar nela de bicicleta ou de monociclo mesmo no escuro.

Com sede, com fome e bem suada, voltei para casa me lembrando de certa vez, quando fui convidada para o enterro de um pintor colega, um velhinho italiano muito simpático que de vez em quando me visitava em meu trabalho. Preocupada em atendê-lo eu oferecia biscoitos e café e o perguntava se meu chefe estava demorando muito em aparecer. Ele sorria e dizia: deixa ele vir quando quiser, eu não tenho pressa. Nem pressa de partir. Conversava, sorria e fumava tranqüilamente o seu charuto e me agradava com sua presença interessante.

Quando ele faleceu eu fui convidada para o seu funeral. Fui informada de que ele havia colocado o meu nome em sua lista de convidados. Bem, atendi ao convite. Foi no ano de 1992 em Basel. Pela primeira vez eu vi um funeral na Suíça e admito: fiquei chocada! Depois da reza na capela e do enterro, todos foram convidados para festejar num dos restaurantes mais elegantes da cidade. Todos bebiam, comiam e sorriam e eu perguntei à viúva tão bonita, muito elegante e sem lágrimas: Por quê esta comemoração?

Ela me disse: Porque a vida continua e deve ser celebrada também em memória aos que se foram. Porque esse foi o pedido dele que convidou à todos vocês para se reunirem, comerem e beberem em memória.

Hoje ele foi mais uma das pessoas inesquecíveis de quem eu senti saudades sem doer.

Em quase meio século de vida eu tive a sorte de ter tido gente ào meu redor que hoje eu posso dizer: me fazem falta, sinto saudades. Mas fizeram parte de uma “estação“ (ou de várias) em minha vida e somente podemos ressuscitá-las assim: com a lembrança.

Para aqueles que gostam de celebrar a vida, que gostam de viajar e de se aventurar na Floresta Negra, aqui vai um site sobre um lugar muito aconchegante pra se hospedar e pra se comer bem: www.gasthof-hotel-hirschen.de

Não esperem ser convidados por um amigo morto. Se puder, viaje! Pelo menos no site e na imaginação!

O site é em alemão, mas se quiserem mais informações escrevam a respeito no comentário do Blog e eu responderei.

Na próxima edição do blog do Hugão vai uma receita culinária típica da Região e outras coisas mais. Aguardem.

Boa semana, beijos e abraços a todos.


Pro-Uni

MARCUS ARANHA


As filas da inscrição para o concurso foram quilométricas.

Quem tem filho, vendo-o crescer, cuida logo de colocar o pimpolho na escola.

Quais os pais que não querem ver um filho educado e, quem sabe, chegar à Universidade? Quem não sonha ter o filho com um curso superior?

Não é tão fácil dar educação. A gente começa gastar na escolinha maternal. Além das mensalidades, nos cobram papel A-4, massa de modelar, tintas, cartolina, giz de cera, toalha, sabonete, creme dental e escova de dente.

Aí o menino cresce... Se você conseguir colocar o filho na rede pública é melhor: o governo dá livros, cadernos e até farda. Senão, você vai pagar mensalidades caríssimas de um colégio de nível razoável. No segundo grau, mesmo colocando o filho na rede pública, você vai suar pra comprar livros, cadernos, Atlas, dicionários, réguas, compasso, triângulos e transferidores.

E se o cara chega a um curso pré-vestibular olha lá que, se brincar, é preciso que os pais diminuam a feira da semana pra poder pagar o curso do menino. Há gente que agüenta tudo isso na esperança de ver o filho doutor, bem de vida, com um emprego decente.

O diabo é que só o que está faltando neste país, é emprego pra doutor. A prefeitura do Rio de Janeiro abriu um concurso oferecendo 1.400 vagas para gari e as filas da inscrição para o concurso foram quilométricas.

Tais cenas mostradas nos jornais e TV revelam como é grave o quadro social brasileiro. Semana passada, ás vésperas do encerramento das inscrições estavam inscritas e ansiosíssimas pra ser lixeiro, 109.193 pessoas!

Para fazer a inscrição é necessário comprovar ter concluído a quarta série do ensino fundamental. Não tenho nada contra os garis, mas convenhamos que pr’o desempenho de tal função a Universidade é dispensável.

O Pro-Uni, criado pelo Governo Federal, estimulou aos empresários da Educação a promover a proliferação de verdadeiras das lojas de diplomas universitários que colocam na rua fornadas e fornadas de doutores. Tanto é que, no concurso para gari no Rio, já se inscreveram 45 candidatos com doutorado, 22 com mestrado, 1.026 com nível superior completo e 3.180 ainda cursando a Universidade. Tais títulos não garantem a aprovação para o cargo, pois da seleção constam testes físicos como corrida, flexão abdominal e exercícios na barra. Claro que na profissão de gari uma boa condição física é muito mais útil que diplomas e canudos universitários.

Diz Eliane Cantanhêde na Folha de S. Paulo que, terrível é o “mestre” ou o “doutor” reprovado na avaliação física, sair da peleja com a sensação que estudou tanto e nem pra gari serve.

Depois de concluir um doutorado ou um mestrado, o distinto aceita um emprego de gari pra “ganhar a vida”. São 44 horas semanais de trabalho, um salário de R$486,10, tíquete de alimentação no valor de R$237,90, vale transporte e plano de saúde. E doutores e mestres estão dispostos a ganhar só isso!

Sabe-se que por aí é gente com formação universitária exercendo funções de quem não tem escolaridade. Tenho um amigo que é formado em Direito e ganha a vida fabricando calhas de zinco, aliás, o que ele faz muito bem. Conheço um administrador de empresas que é porteiro de um prédio residencial e um motorista de táxi que também é advogado.

O presidente da república já se ufanou dizendo que o Pro-Uni já formou quase o mesmo número de estudantes que as universidades federais, desde que elas existem.

Faltou dizer que o Pro-Uni encheu de dinheiro os bolsos dos tubarões da educação e deixou pela aí centenas e centenas de profissionais com um diploma guardado numa gaveta, documento que não lhe serve nem para ser aprovado em concurso pra gari.

Segunda-feira, Novembro 02, 2009


ACONTECEU (3)

COMENTÁRIOS DE VALDEZ JUVAL

Falei certa vez para um amigo editor que agradecia sinceramente o honroso convite mas não desejaria assumir compromisso editorial. É que sempre presei a liberdade de expressão e o momento de expressar o sentimento. As palavras nem sempre estão ao nosso dispor e logicamente somente com elas é que se pode redigir alguma coisa.

São instantes da tal preguiça intelectual.
Sofro muito dessa doença.
Conclusão: Não tenham certeza da pontualidade de Aconteceu...

DIVULGAÇÃO ENGANOSA
Sou curioso nas citações que me são apresentadas e busco as raízes.
Sou um covarde, (rasguei todos os rascunhos “O EVANGELHO SEGUNDO HIPÓCRITA” tendo em vista uma promessa para alcançar a cura de minha irmã caçula) mas não gosto de ser enganado.

Não alcancei o pedido mas fiquei com temor de algum castigo se não cumprisse o prometido.
Recebi um e_mail que especificava ser o Salmo 100:4 solicitando ainda que passasse à frente para amigos. (Perdão, não me mandem e-mail de corrente porque quebro todas elas.)
Desculpem a grosseria que troco aqui pela sinceridade.
Estranhei o teor do Salmo e pesquisei sobre o assunto em um punhado de Bíblia adquiridas e recebidas de presente, que muito me serviram e servem para estudos.

Fui também para a Internet.
Achando pouco, faço a comparação para vocês.
Texto que recebi com o SALMO 100:4:
“Deus tem visto suas lutas.
Deus diz que elas estão chegando ao fim.
Uma benção está vindo em sua direção.
Se você crê em Deus por favor envie esta mensagem para 20 amigos.
Não ignore, você esta sendo testado.”
O texto original do versículo 4 do Salmo 100:
“Entrai pelas portas dele com louvor, e em seus átrios com hinos: louvai-o, e bendizei o seu nome.”

Como hoje, no Brasil, existem milhares de Igrejas e milhões de seguidores (os quais chamo de fanáticos), tudo é possível.

Estou atrasado com as reformas. Além de ortográficas agora também religiosas.

COMENTÁRIOS:
Não darei detalhes dos comentaristas desta página. É que muitas pessoas preferem o anonimato por razões várias e óbvias.
Acho legal.
O texto, sim. A autoria, não.
Aguardarei a devida autorização.
Hoje, porém, mesmo desautorizado, não poderia deixar de transcrever o e-mail de

YOLANDA FERNANDES:
Valdez: Li sua crônica que trouxe à tona alguns fatos que, realmente, nós brasileiros gostaríamos fossem mais e melhor informados. Na verdade, estamos continuamente a esperar... soluções, providências, melhoria da qualidade de vida e ... infelizmente, nada acontece. As coisas continuam costumeiramente como "antes, no quartel de Abrantes". Ou seja, só nos chegam notícias de violência, tráfico de drogas, congestionamentos doentíos num trânsito sem vias suficientes de escoamento, e por aí vai... Acrescente-se ainda os escândalos nos desvãos dos suntuosos prédios onde convivem e se atracam os "representantes do povo", "batendo cabeça" em defesa de seus interesses pessoais e tornando-se representantes da "esperteza", picaretagem, demagogia barata e enganação em nome de um "parlamentarismo" moderno, que se destaca pela repetição dos "trambiques" e "desmandos". Essas "brincadeirinhas", que resultam em formas organizadíssimas de fontes de escândalos, passam a ser tão gigantescos que nem a imprensa se anima a conservá-los, por muito tempo, nas páginas de jornais e revistas, canais de TV ou emissoras de rádio. Faça um release dessa parafernália, uma síntese de tudo que vem acontecendo no Brasil nesse início de século e verá que estamos num país que tem tudo para ser o MELHOR PAÍS DO MUNDO, MAS QUE PERDEU-SE NOS LABIRINTOS DE UM CAMINHO SEM VOLTA... Parabéns por tudo que você vem realizando no campo das letras. Precisamos de analistas como você: com tempo disponível, inteligente e apreciador da realidade brasileira. Para você e Henriette, meu abraço afetuoso. Yolanda
Valeu, querida Yolanda. Sou seu fã. Beijos.

E-mail de SA:
Estou aqui novamente a parabenizá-lo...Tudo que o Sr. escreve é muito bom, comentários pertinentes e tudo mais. É real, verídico. No entanto, veja só o risco que nós, fãs anônimos dos famosos, corremos qdo tentamos, diante de nossa singela escrita, parabenizar nossos ídolos!!!!?????
Beijos e obrigada por toda distinção.
A satisfação é minha. Eu, famoso?... Você, minha fã? Nota-se muito bem a sua raiz! Participei com seu falecido pai, intelectual impoluto de nossa terra, de alguns eventos que muito me dignificaram. Mais uma vez, obrigado pelas palavras.

E-mail de Jeanine.
SABE O QUE EU ESTAVA PENSANDO???
QUANDO SERÁ QUE COMEÇA OU MESMO TERMINA MINHA SEMANA!! KKKKKKKKKK...
...O PRÊMIO JA GANHEI POR ANTECIPAÇÃO.
O PAI, O AVÔ E O BISAVÔÔÔ MAIS LINDO DO MUNDOOO!!...
BJSSSSSSSSSSSSSSSS
TE AMOOO!!!
SUA FÃ.
Pelo texto, não pode haver anonimato. Ainda por cima tomo conhecimento de que vou ser BISAVÔ! Que maneira de se fazer uma comunicação!!!
Grato por tudo, minha filha, inclusive pelo bisneto. Beijos para você e os netos.


MUITO ESPECIAL OS MEUS AGRADECIMENTOS PELA PUBLICAÇÃO DAS CRÔNICAS ANTERIORES PARA
ELPÍDIO NAVARRO do site ELTHEATRO e
HUGO CALDAS do blog UNILIMITED
Beijos para todos.
Até breve.
Valdez
Brasil, 311009

Sexta-feira, Outubro 30, 2009

A IMAGEM DO DIA


Cadê a toalhinha de mesa?
Alguém viu a toalhinha de mesa que sumiu do palácio?

Quinta-feira, Outubro 29, 2009

O Horror

Roque Sponholz

Pequenos traficantes sem punição. Hmmmm…
Sei… Cartão corporativo do governo com saque em dinheiro. Hmmm… Mortes no trânsito sem punição.
Hmmm… Assassinos confessos à solta (Pimenta Neves)… Ações criminosas do MST, financiadas com o nosso $$. Lindo!… Enxurrada de cadáveres no Rio de Janeiro. Alguém ainda se indigna?! Estadão sob censura. Sarney e sua quadrilha de corruptos, impávidos, colossais. Lula gargalhando e falando bobagem, se compara a Deus.

Ahmadinejad nas nossas portas. Estamos falando do que mesmo, hein?!…

Estamos falando do ESTADO DE BARBÁRIE a que chegou o Brasil. Mais um pouco e estaremos nos matando com paus e pedras.

Desabafo de um brasileiro


Meu caro Brasileiro: Recebi e repasso o seu texto. Concordo com 99,9% do exposto. Cuido que o Nordeste não tem culpa de ter engendrado esse calhorda. Portanto menos vinagre, por favor! H.C.

"Muitos se dizem aviltados com a corrupção e a baixeza de nossos políticos. Eu não, eles são apenas o espelho do povo brasileiro: um povo preguiçoso, malandro, e que idolatra os safados. É o povo brasileiro que me avilta !"

Não é difícil entender porque os eleitores brasileiros aceitam o LULA e a quadrilha do PT como seus líderes. A maioria das pessoas deste país faria as mesmas coisas que os larápios oficiais: mentiriam, roubariam, corromperiam e até matariam.Tudo pela sua conveniência.

Com muitas exceções, os brasileiros se dividem em 2 grupos :
1) Os que roubam e se beneficiam do dinheiro público, e

2) Os que só estão esperando uma oportunidade de entrar para o grupo 1.

Por que será que o brasileiro preza mais o Bolsa Família que a moralidade?

Fácil : Com a esmola mensal do bolsa família não é preciso trabalhar, basta receber o dinheiro e viver às custas de quem trabalha e paga impostos.

Por que será que o brasileiro é contra a privatização das estatais?

Fácil: Em empresa privada é preciso trabalhar, ser eficiente e produtivo; senão perde o emprego. Nas estatais é eficiência zero, comprometimento zero e todos a receber o salário garantido, pago com o imposto dos mesmos idiotas contribuintes.

Para mim chega!

Passei minha vida inteira trabalhando, lutando e tentando ajudar os outros.

Resultado : Hoje sou chamado de 'Elite Privilegiada' .

Hoje a moda é ser traficante, lobista, assaltante e excluído social.

Por isso, tomei a decisão de deixar de ser inocente útil, e de me preocupar com este povo que não merece nada melhor do que tem.

Daqui pra frente, mudarei minha postura de cidadão.

Vou me defender e defender os direitos e interesses da nossa 'Elite Privilegiada'

1) Ao contrário dos últimos 20 anos, não farei mais doações para creches, asilos e hospitais. Que eles consigam os donativos com seu Querido 'governo voltado para o Social'.

2) Não contribuirei mais com as famosas listinhas de fim de ano para cesta de natal, de porteiros manobristas, faxineiros e outros. Eles já recebem a minha parte pelo Bolsa-Família.

3) Não comprarei mais CDs e não assistirei a filmes e peças de teatro dos artistas que aderiram ao Lulismo (lembra, tem que por a mão na merda!).

Eles que consigam sua renda com as classes c e d, já que a classe media que os sustentou até hoje não merece consideração.

4) Não terei mais empregados oriundos do norte-nordeste (curral eleitoral petista). Por que eles não utilizam um dos 'milhões de empregos gerados por este governo'?

5) Depois de 25 anos pagando impostos , entrarei no seleto grupo de sonegadores. Usarei todos os artifícios possíveis para fugir da tributação, especialmente dos impostos federais (IR). Assim, este governo usará menos do meu dinheiro para financiar o MST, a Venezuela, a Bolívia e as 'ONG´s fajutas dos amigos do Lula'.

6) Está abolida toda e qualquer 'gorjeta' ou 'caixinha' para carregadores, empacotadores, frentistas, e outros 'excluídos sociais'. Como a vida deles melhorou MUITO com este governo de esquerda', não precisam mais de esmolas.

7) Não comprarei mais produtos e serviços de empresários que aderiram ao Lulismo. É só consultar a lista da reunião de apoio ao Lula, realizada em Setembro/06. Como a economia está 'uma beleza', eles não estão precisando de clientes da 'Elite Privilegiada' .

8) As revistas, jornais e tv's que defenderam os corruptos em troca de contratos oficiais estão eliminadas da minha vida (Isto É, Carta Capital, Globo, etc). A imprensa adesista é um 'câncer a ser combatido'. As tv's que demitiram jornalistas que incomodaram o governo (lembra da Record com o Boris Casoy?) já deixaram de ser assistidas em casa.

9) Só trabalho com serviços públicos privatizados. Como a 'Elite Privilegiada' defende a Privatização, usarei DHL ao invés dos Correios, não terei contas na CEF, B.Brasil e outros Órgãos Públicos Corruptos.

10) Estou avisando meus filhos : Namorados petistas serão convidados a não entrar em minha casa. E dinheiro da mesada que eu pago não financia balada e nem restaurante com petista. Sem Negociação.

11) Não viajo mais para o Nordeste. Se tiver dinheiro, vou para o exterior, senão tiver vou para o Guarujá. O Brasil que eu vivo é o da 'Elite Privilegiada' , não vou dar PIB para inimigo.

12) Não vou esquecer toda a sujeira que foi feita para a reeleição do 'Sapo Barbudo', nem os nomes dos seus autores. Os boatos maldosos da privatização ( Jacques Wagner, Tarso Genro, Ciro Gomes), a divisão do Brasil entre ricos e pobres ( Lula, José Dirceu), a Justiça comprada no STF (Nelson Jobin), a vergonha da Polícia Federal acobertando o PT (Tomás Bastos), a virulenta adesão do PMDB (Sarney, Calheiros, Quércia), a superexposição na mídia do Lula ( Globo) ..

Sugiro que vocês comecem a defender sua ideologia e seu estilo de vida, senão, logo logo, teremos nosso patrimônio confiscado pela 'Ditadura do Proletariado'

Estou de luto ! O meu país morreu !

- EU DESISTI DO BRASIL !!!

Autor: Um brasileiro

Charge do Dia

Afinal, pra que normas?

Carlos Mello

Hugão, sei bem as agruras por que passou nosso confrade. Durante alguns anos lecionei uma disciplina destinada a orientar os alunos sobre as monografias de final de curso. Adquiri o tal "manual" de normas técnicas para citações bibliográficas e fiquei confuso e horrorizado, tanto com a redação (no mais puro neandertalês) quanto com a confusão das ditas normas, contraditórias e incompletas.

Anotei algumas e liguei para a sede da ABNT no Rio, onde me informaram que eu deveria ligar para a ag^encia de São Paulo, pois foi de lá que os luminares receberam a revelação. Bem, eles não tinham o telefone da agência paulista, mas isso era mole: bastava que eu ligasse para "informações" da telefônica. Assim procedi, e a moça que me atendeu começou por não entender o que eu queria.

- Esclarecimentos? Mas de que, senhor? Dúvidas? Que dúvidas? Normas técnicas? Quais? Bem, não era com ela. Passou a um outro departamento, onde um sujeito engraçado disse que ele não tinha idéia dessas normas.

- Mas não foram feitas aí?
- Aqui?!
- Sim, aí não é a ABNT?
- É, as normas foram feitas aqui.
- É o que eu dizia.
- Sim, e daí?
- Daí que estou com algumas dúvidas. Sou professor e tenho de explicar essas normas para os alunos.
- Quais são as dúvidas?
- Bem, a primeira é a que diz que o grifo é obrigatório quando...
- Grifo?!
- É, o itálico...
- É dúvida sobre alguma norma técnica? Qual?
- Uma delas é a que eu estava começando a explicar...
- Bem, meu senhor, isso não é aqui.
- Mas onde é então? Na ABNT do Rio me disseram que era.
- Vou lhe dar o telefone, o Senhor fala com a Professora fulana. 99...
- Mas esse número é de celular...
- E' isso mesmo. A Professora é muito ocupada, tem de ligar para onde ela estiver no momento.

Agradeci, desliguei e fiz o que ele mandou. A Professora estava naquele momento tentando dirigir seu carro no caos paulistano. Disse-me que ela também tinha alguns questionamentos, mas estava sem chance de esclarecer essas coisas enquanto dirigia. Agradeci e desliguei. Na sala de aula, contei o caso aos alunos, que riram satisfeitos com meu problema. Afinal, perguntavam-se, pra que normas? Ninguém observa essas coisas. E eis a pergunta que serve de resposta. Pra que? Num país em que as regras jurídicas e as normas éticas provocam, quando muito, um sorriso irônico, falar de normas técnicas em redação de monografias soa como uma caturrice de professor velho. Afinal, os pigmeus vivem há séculos sem nenhuma norma técnica, e continuam alegremente a comer seus ratões do banhado e suas cobras.